domingo, 30 de outubro de 2011

Fora do Ar


Depois que o comercial foi veiculado em todos os canais de comunicação, minha vida virou uma loucura!    Eu não parava de receber telefonemas com todo o tipo de proposta, inclusive indecentes. Tal foi a repercussão, que eu não podia sair na rua sem ser abordada por algum repórter ou curioso com uma câmara na mão. Eu não estava acostumada e nem gostava dessa super exposição, sem falar que estava preocupadíssima com a titia Agnes, que se não estivesse ido parar no hospital, já estava tomando todas as providências para me deserdar.


Para fugir de todo aquele assédio eu havia deixado o flat e havia me instalado no subúrbio de Bridge; peguei o dinheiro que me sobrou do cachê do comercial, pois a maior parte foi empregado naquela maldita reforma que Meg havia feito no flat, e aluguei uma casa bem simples, onde pretendia ficar até a poeira baixar.


Eu havia ficado tão abalada com aquela situação que até procurei um psicólogo pra me ajudar. Para uma pessoa comum, ou seja, para uma atriz acostrumada com a fama e com o glamour, como a Lana Turner, por exemplo, aquela situação não seria motivo para encucação. Mas para mim, que sempre fui uma pesssoa problemática, aquela exposição na mídia havia me deixado em um conflito muito grande. O psicólogo falou que eu havia escolhido a profissão errada, e eu comecei a considerar aquela afirmação. Talvez eu tivesse nascido para ser uma pessoa comum, uma simples dona de casa, por exemplo.


Numa determinada manhã, quando eu estava saindo para mais uma sessão com o psicólogo, eis que dou de cara com o Gage, que imediatamente veio ao meu encontro comentar o episódio do comercial:
Gage - Vi seu comercial, pra quem vivia dizendo que era uma pessoa recatada...
Chris - Se vc não se incomoda, não quero falar sobre isso. Mas estou querendo muito falar com vc sobre outra coisa. Por que desapareceu de repente me deixando numa situação tão...Incômoda...
Gage - Não estou entendendo...Do que vc está falando?


Chris - Ora, não se faça de desentendido, por favor! Naquela noite vc se aproveitou da minha situação e se aproveitou de mim! 
Gage - Sinceramente não sei do que vc está falando, pois naquela noite vc passou mal, eu te fiz um chá, depois vc teve uma queda de pressão, ficou sonolenta e adormeceu. Como eu fiquei preocupado com vc, resolvi dormir lá, pra caso vc precisasse voltar ao hospital, tivesse alguém pra te levar. 
Chris - E por que quando acordei vc estava no banho e depois saiu sem falar comigo...?


Gage -  Eu tomei banho lá porque precisava ir trabalhar e não ia dar tempo pra passar em casa. E quando eu saí falei com vc sim; falei que se vc precisasse de mim, era só ligar.
Chris - Pois eu não lembro de nada disso.
Gage - Realmente naquela noite vc estava muito mal; penso que bebeu mais do que deveria mesmo. Como vc pôde pensar que eu poderia me aproveitar de vc numa condição daquelas? Não sou esse tipo de homem.
Chris - E por que vc desapareceu? Por que não deu nem um telefonema?
Gage - Por que consegui um emprego, agora sou militar. Assim que fui contratado fui enviado para outra cidade, mas agora estou de volta. Também porque desisti de ficar insistindo em conquistar vc; não vale à pena investir em alguém que não nos dá valor.




Chris - Então quer dizer que não aconteceu nada...?
Gage - Claro que não; eu jamais iria querer que houvesse algo naquela circusntância. Mas, a proipósito, o que vc faz por essas bandas?
Chris - Estou passando um período por aqui; decidi passar uns tempos afastada da agitação de Bridge.
Gage - Pensei que depois do sucesso do comercial, vc tivesse ficado bem famosa e tivesse sido escalada para uma grande produção.


Chris - É...Até que fui convidada pra vários trabalhos, mas sou acontece que não lido muito bem com determinados assuntos. Sou uma pessoa meio complicada...
Gage - Pois é, eu sei disso...
Chris - Eu estou convencida de que escohi a profissão errada...
Gage - Nunca é tarde demais para mudar, pra recomeçar...Bem, eu preciso ir andando pois vou pegar no trabalho agora.


 Chris - Que bom que vc finalmente arrumou um emprego...Agora sou eu que tou desempregada.
 Gage - Eu tou morando aqui bem perto, quando quiser bater um papo...
 Chris -  Se quiser aparecer aqui em casa, já sabe onde é


Gage - Bem então até outra hora
Chris - Qualquer hora dessas apareça pra gente conversar...


Aquele foi um encontro realmente inesperado, mas apesar do que eu julgava ter ocorrido, até que gostei de rever o Gage. Eu andava tão abandonada pra aquelas bandas do subúrbio; minhas amigas estavam envolvidas com seus problemas e fazendo planos para uma nove viagem, que o fato de ter reencontrado o Gage me trouxe um pouco de conforto, trouxe um sentimento de que eu ainda poderia contar com um ombro amigo.

sábado, 1 de outubro de 2011

O Comercial 2


Voltei da casa do tal produtor bem tarde; quando cheguei já havia amanhecido. Quando entrei em casa tive a inpressão de que havia entrado no apartamento errado. Quando Meg disse que ia fazer umas modificações pensei que ela só ia mudar os móveis de lugar, mas a doida mudou completamente tudo, do piso da cozinha ao sanitário. Eu sabia que ela com aquela mania de arquiteta ia acabar me dando mais prejuízo do que o esperado.



Peguei uma sobra de comida que havia na geladeira, pois não havia comido desde a noite anterior, uma vez que o produtor do comercial não me ofereceu nem um copo de água, e me pus a pensar como iria pagar a despesa daquela reforma. Agora mais do que nunca ia precisar fazer mesmo o tal comercial.


As duas folgadas ainda estavam dormindo quando eu cheguei, mas logo a metida a arquiteta acordou perguntando o que eu havia achado da reforma:
Meg - E aí, Chris, que tal o up que dei no seu apê?
Chris - Menina, vc precsiava vir a Bridge só pra me dar esse prejuízo? Por que não foi reformar a casa onde a Beaz está morando, já que estava querendo colocar em prática essa sua mania de designer de interiores? Pelo menos ela com certeza tem dinheiro sobrando pra gastar com as suas maluquices.



Meg - Mas como vc é mal agradecida!! Eu lhe faço um favor e é assim que vc me agradece?!!! Eu bem que falei pra Beaz que não valeria à pena a gente vir pra cá te ajudar!
Chris - Mas eu não estou precisando de aujuda nenhuma, principalmente esse tipo de ajuda que vem me dar prejuízo!
Meg - Então quer dizer que hospedar duas amigas significa dar prejuízo?!!! Então quer dizer que uns míseros simoleons valem mais que uma amizade!!?? Pois se é assim, saiba que eu já tou dando o fora; vou voltar pra minha família que é quem realmente precisa de mim. E além do mais não aguento ficar muito tempo longe do meu Gui, pois já faz mais de um dia que a gente não...Deixa pra lá!


Chris - É realmente não é bom vc ficar longe dele, não é? Vá lá colocar a coleira nele pra ele não irsatisfazer as necessidades dele em outro "poste".
Meg - Não estou entendendo o que vc tá querendo insinuar...
Chris - Isso não é novidade pois vc nunca entende nada quando o assunto é esse. Vá embora logo mesmo pois seu maridinho deve estar morrendo de saudade, mas antes de ir avise que está chegando pra não ter uma surpresa desagradável...



Meg - Pois eu vou embor agora mesmo pois não vim aqui pra ser ofendida desse jeito! Depois ligo pra Beaz pra contar o que aconteceu. Mas vou lhe dizer uma coisa: depois não vá atrás de mim pra pedir conselhos, pois tou vendo que vc tá realmente desorientada! É isso que dá a gente querer ajudar amiga ingrata! E vou dizer mais: sabe o que vc é? Vc é uma invejosa! Vc tem inveja de mim porque eu tenho um homem que me ama,  e vc nunca conseguiu segurar nem um! Vc é uma mal amada!!!!
Chris - Menina, esse tipo de ajuda pra me dar prejuízo eu tou dispensando, e tou dispensando também certos tipos de homens.
Meg - E que tipo de atriz é vc, que não tem condições de pagar uma reformazinha dessa? Já vi que vc tá em decadência,mesmo! A lém de mal amada, decadente!



Depois que falei tudo aquilo até me arrependi, pois a gente era amiga há muito tempo. Mas por outro lado ela merecia ter ouvido umas poucas e boas mesmo, pois Meg apesar da idade, parecia não ter saído da adolescência; para ela a vida era um eterno mar de rosas, para ela tudo era fácil.


Depois que Meg saiu, eu saí logo atrás em direção à produtora do comercial, pois estava decidida a fazer o anúncio da concessionária. Deixei a Beaz ainda dormindo; parecia que ela ou tava muito cansada ou estava entrando em uma depressão, pois já passava das onze horas e ela ainda permanecia dormindo.


Desde que eu inicie essa carreira de atriz, minha vida havia mudado muito. Parecia que eu estava me tornando uma pessoa diferente; parecia que a vida de artista realmente é uma vida muito conturbada. Atá com a Meg, que era uma das minhas melhores amigas, eu havia discutido há pouco. Sem falar no envolvimento que eu havia tido com o tal do Gage, o qual desapareceu e me deixou na dúvida do que de fato acontecera naquela noite.


 Bem, minha gente, quando cheguei na locação onde seria produzido o tal anúncio, quão grande foi a minha surpresa quando tomei conhecimento do figurino. A atriz escalada para aquele comercial tinha sido a Lana, mas como ela abandonou a produtora tiveram que arrumar outra pessoa às pressas, e evidentemente a substituta teria que usar o mesmo  modelito. Acontece que não consideraram que a substituta estava um pouco fora do peso, e por isso teve que fazer o maior esforço para caber no figurino; sem falar que não me senti nem um pouco confortável naquela roupa super decotada e curtíssima, e nem com aquele aplique me colocaram no meu cabelo.


Eu deveria ter pensado nisso! Deveria ter lembrado que todo comercial de carro procura explorar a sensualidade e usar isso como um apelo comercial. Se eu tivesse atentado para isso com certeza não teria aceitado fazer o anúncio, mas não dava mais para voltar atrás pois já havia assinado o contrato e na quele momento estava precisando mais do que nunca de grana.


Mas uma coisa estava me preocupando muito, além da repercussão que o comercial causaria após sair na mídia; com certeza eu iria ter que ouvir críticas de todos os lados tendo em vista que eu sempre fui defensora da moral e dos bons constumes. Outra coisa que me preocupava era que com certeza eu iria ser vista com outros olhos depois daquele trabalho, principalmente por parte dos homens.


Mas o que realmente não estava me deixando sossegar, e com certeza me deixaria várias noites sem dormir, era o medo de que aquelas fotos fossem parar em algum outdoor em Sunset Valley. O fato de serem publicadas em revistas ou o vídeo sair na TV não me preocupava tanto, pois titia não costumava ver TV e nem ler revista, mas ela andava muito pelas ruas de Sunset, e se deparasse com uma foto minha naquela situação em um outdoor, era bem provável que ela desse um pirepaque e  caísse durinha na rua mesmo. E eu nem queria ser a responsável pela morte da coitada, e nem ser deserdada caso seu coração resistisse ao susto!