domingo, 13 de novembro de 2011

Teias de Relacionamentos



Eu continuva com  a minha rotina simplória em Twinbrook. Eu costumava ficar enfurnada em casa, pois tinha receio que alguém me reconhecesse, mas já havia passado tanto tempo desde o comercial, que provavelmente ninguém mais lembrava de mim. Então, depois de passado uns seis meses, resolvi sar para connhecer a cidade.



 Eu estava cansada de ficar em casa, hora lendo, ohra fazendo as tarefas domésticas. Gage havia voltado a sua rotina e quando não estava trabalhado em seu expediente normal, estava fazendo hora extra. Ele só vivia dentro de uma viatura com uma colega bombeira. Uma coisa que chamava atenção no corpo de bombeiros daquela cidade era o fato de ter mais mulheres do que homem trabalhando na corporação.

 

Outra coisa que impressionava em Twinbrook referia-se à densidade demográfica do lugar; lá o número de habitantes por quilômetro quadrado era reduzidíssimo. Nós quase não tínhamos vizinhos; o mais próximo ficava a cerca de dois quilômetros de distância. Se por um lado isso foi positivo para mim, pois estava querendo ficar isolada, por outro, causava um sentimento de abandono e de solidão.


Mas solidão era coisa que Gage não sentia, pois como passava a maior parte do tempo trabalhando, sempre estava rodeado de pessoas, principalmente de mulheres. Inclusive eu vivia torcendo para que ele se interessasse por uma delas, pois já havia deixado bem claro para ele que o que havia entre nós não passava de uma amizade, em certos momentos colorida, é fato, mas amizade. Eu era grata por ele ter me ajudado naquela fase conturbada de minha vida. Assim o sentimento que me aproximava dele era gratidão e não amor.


Uma característica da cidade que me agradava, eram os rios, pois Twinbrook era uma cidade ribeirinha, e suas inúmeras pontes. Sempre gostei muito de pontes, penso que pela sentido que elas trazem, isto é, pelo fato de estabelecerem ligações, o que de certa forma era o que eu vivia procurando. Sempre preferi às pontes aos muros, mas infelizmente meus problemas pareciam sempre me colocar à beira de abismos existenciais.


No meu percurso até o centro da cidade, passei pelo posto do corpo de bombeiros, e avistei de longe o Gage em treinamento com uma de suas colegas. Ele não me viu, e nem eu fiz questão que me visse; o tempo que a gente passava junto era pouco mas era suficiente para o tipo de relação que estabeleci para nós dois. Assim, não havia espaço para uma visitinha ao seu trabalho para matar a saudade. O que eu queria mesmo ela que ele se interessasse por uma daquelas bombeiras; gostaria que ele encontrasse alguém que o completasse. Eu também estava procurando por algo que me completasse, mas já estava convicta de que esse algo não tinha relação com relacionamentos amorosos.


A cidade, embora tivesse poucos estabelecimentos comerciais, dispunha de algumas modernidades, como por exemplo a entraega de compras em domicílio . Entrei em uma mercearia e fiz algumas compras, e eles me prometeram que assim que eu chegasse em casa iria encontrar as minhas compras na varanda. Outro fator importante por lá é que o índice de criminalidade era baixíssimo, quase zero.


Aproveitei pra passar no sebo e comprar alguns livros, pois eu já tinha lido todos os que eu havia levado, os que Gage  havia me emprestado, e os que ele havia trazido da biblioteca comunitária. O dono do sebo, um homem de cabelos grisalhos, mas ainda jovem, era bem comunicativo e ficamos conversando por um bom tempo. Ele me contou que também era novo na cidade, e que havia ido pra lá realizar trabalho de ajuda humanitária, por isso estava vendendo alguns dos exemplares de sua biblioteca para arrecadar recursos.


Teve um momento de nossa conversa em que ele disse que achava que já havia me visto antes, mas eu desconversei e disse que deveria ser impressão dele, pois eu era uma mulher comum e recém chegada na cidade, de modo que não tinha como a gente ter se encontrado antes. Uma coisa que me agradou nele, é que como eu, ele era cinéfilo. Inclusive ele revelou que já havia sido diretor de um filme que fora rodado no exterior. Apesar da cidade ser bem interiorana, parecia que tinha umas pessoas interessantes, como aquele dono do sebo, mas também tinha um povo esquisito e extravagante, como uma moça que passou perto de nós, enquanto estávamos no maior papo sobre cinema.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tentando ficar online



Desde que comecei a apresentar minha crise existencial, prourei ouvir todos os conselhos das amigas e das pessoas que passaram a acompanhar este diário. E todas, foram unânimes em atribuir o meu problema à falta de um companheiro, e ao fato de eu ser meio reprimida, digamos assim, o que combinava com a avaliação que o terapeuta fez do meu caso.


Na avaliação que eu fazia de mim mesma, eu pensava que estava evoluindo muito, pois apesar de ter procurado o isolamento, não era um isolamento total, afinal o Gage estava comigo. E naqueles dias, ele ficou comigo em tempo integral, pois suas tão sonhadas férias havia finalmente chegado. No primeiro dia de férias, ele chegou da rua cheio de embrulhos; estava trazendo uns presentes para mim.


  Chris - Que caixas são essas...?
  Gage - Uma surpresa pra vc...
  Chris - Mas nem é meu aniversário...
  Gage - Não precisa ser anversário para fazermos uma festa...
  Chris -  Então teremos uma festa...? Poderia ter me avisado para   eu arrumar as coisas.
  Gage - Não precisa, pois será uma festa íntima; só para nós dois...



Inicialmente não entendi o que ele estava queredo dizer, mas depois, quando ele veio todo insinuante para o meu lado, eu logo entendi. Principalmente quando ele sussurou em meu ouvido:

_ Não consigo esquecer aquele comercial que vc fez, pois nunca te vi tão sexy...Por isso trouxe uma coisa que gostaria muito que vc usasse.

Pelo tom da conversa, imaginei logo o que seria, e o natural seria eu ter uma crise de fúria e rejeitar a sua proposta. Mas como estávamos só nós dois ali e as pessoas que eu conhecia e que certamente me criticariam estavam há centenas de quilômetros de distância, resolvi entrar no clima e fazer tudo que a Lana havia me incentivado, e que minhas amigas sempre insinuavam.



Vesti a roupa que ele havia comprado pra mim. Era tipo uma versão feminina e econômica do fardamento oficial do corpo de bombeiros. Acho que fazia parte de uma fantasia dele.


Chris - Então, como estou?
Gage - Está ótima e como eu sempre quis que estivesse...E vc, está curtindo?
Chris -  Pra falar a verdade está um pouco apertada; acho que ganhei mais uns quilinhos. Também, não faço outra coisa senão comer e dormir.
Gage - Bem, então vamos parar de conversa e vamos começar a nossa festa.

 

Bem, então começamos a nossa festinha particular.




E continuamos durante todo o mês de férias dele, quando tive a oportunidade de usar todos os presentes que ele me trouxe no primeiro dia.



Estava mesmo decidida a testar pra saber se era aquele mesmo a solução para os meus problemas, conforme todo mundo insistia em afirmar.



Só parávamos para eu preparar alguma coisa para comermos, mas nem mesmo nessas horas o Gage não me dava sossego, e quando eu menos esperava lá estava ele atrás de mim enquanto eu estava na pia lavando ou preparando algum alimento.


Era uma experiência interessante e inusitada para mim, pois em frente a pia havia uma janela e volta e meia passava alguém na calçada e ficava esticando o pescoço tentando ver o que estava acontecendo. E por mais que eu implorasse que ele esperasse eu terminar o meu serviço, ele não dava ouvidos e continuava me agarrando.



Foi assim durante os 31 dias de suas férias. E apesar de eu ter aceitado participar daquela experiência, que pra mim era na verdade um experimento para comprovar ou refutar a tese de minhas amigas, quando acabou eu estava muito inclinada a acreditar que elas estavam completamente e-qui-vo-ca-das. Penso que eu preciso de algo mais...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Estabelecendo conexões


Naquela noite Gage acabou dormindo lá em casa,  e não dormiu no sofá. Embora eu tenha me arrependido depois, como era de se esperar, naquela noite me deixei seduzir e envolver por ele.


No dia seguinte não sabia direito o que dizer e nem o que fazer, pois na noite anterior me comportei de uma forma atípica. Não era do meu feitio de deixar levar daquela maneira, mas as circunstâncias me fizeram deixar a razão de lado e deixar minha carência falar mais alto. Gage também parecia meio desconsertado diante da situação, e como quem tivesse de assumir um compromisso sério comigo depois daquela noite, falou:
Gage - Bem, eu agora preciso ir. Mas preciso lhe dizer uma coisa que esqueci de falar ontem. Tudo indica que eu serei remanejado para o corpo de bombeiros de Twinbrook, e se vc quiser vir comigo...
Chris - Isso significa que vc está me convidando para morarmos juntos...?
Gage - Se vc quiser, eu vou gostar muito.


E como eu já tava perdida mesmo, aceitei o convite e me mandei pra Twinbrook com ele. A cidade não era das mais bonitas, mas servia para quem estava querendo se refugiar bem longe de tudo e de todos, e principalmente fugir de mim mesma. 
Gage - A cidade não é tão bonita quanto Sunset, mas pelo menos é uma cidade bem pequena e pacata como vc queria.
Chris - A cidade está ótima para os meus propósitos.


Gage - Eu não entendo essa sua mania de querer ficar fugindo de todo mundo. Do que mesmo vc tem medo? Não venha me falar de sua tia porque ela não faz a mínima ideia de onde vc possa estar.
Chris - Na realidade nem eu mesma sei, e nem aquele terapeuta me ajudou a saber. 
Gage - Até agora vc continua sendo um enigma para mim.
Chris - Sou uma icógnita até pra mim mesma.



A casa onde nos instalamos era bem pequena, na verdade mais parecia uma cabana de caça. A cidade mais parecia um pântano e o ar era carregado de uma neblina gélida. O Gage ficava fora quase o dia inteiro e eu ficava sozinha naquela casa fria.


Na maioria das vezes eu fazia as refeições sozinha, pois até mesmo quando Gage estava de folga, sempre aparecia uma emergência e ele saia correndo para apagar algum incêndio, salvar alguma vaca que havia se atolado na lama dos pântanos, ou tirar algum gatinho de cima de alguma árvore.


Eu passava quase todo o tempo cuidando dos afazeres domésticos,  equando já não tinha mais nada pra fazer, sempre inventava algo com que me ocupar, pois era entediante ficar sentada dentro de casa esperando o tempo passar.


Quase sempre eu me pegava pensando se era aqula vida que eu havia escolhido para mim. Logo eu que vivia falando que não queria mais ser dona de casa  e nem cuidar de família. Se bem que Gage eu não formavámos exatamente uma família. Estávamos vivendo sob o mesmo teto mas não tínhamos um relacionamento tipo marido e mulher. Éramos algo do tipo amigos, um tipo de amizade colorida, pois eu havia deixado bem claro que não estava a fim de assumir compromisso com ninguém, e ele prontamente aceitou desde que eu aceitasse os seus carinhos de vez em quando. E era de vez em quando mesmo!


Gage demonstava ser um cara bem gentil e atencioso, mas era pouco ambicioso. Estava super contente com sua nova carreira no corpo de bombeiros e com a minha presença ao seu lado. Sempre procurava fazer, na medida do possível, todos os meus gostos. Mas eu começava a ficar incomodada com aquela vida monótona, e ao mesmo tempo tentava entender o porquê de eu gostar de complicar tanto as coisas, pois quando tive a oportunidade de dar um up em minha carreira, e talvez me transformar em uma atriz famosa, entrei em parafuso e optei por me entocar naquele fim de mundo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Buscando uma sintonia


Naquela mesma noite o Gage apareceu pra jantar. Confesso que fiquei bastante contente, pois há muito tempo eu não tinha companhia para as refeições. Gage estava muito animado com o seu novo emprego, mas  disse que sua mãe estava muito preocupada pois o trabalho de policial é geralmente uma função de alta periculosidade.


Gage notou que eu estava muito desanimada e tentou me  animar me convidando para um passeio no parque no final de semana. Mas eu estava depessiva demais e não queria correr o risco de ser assediada, por isso evitava sair para lugares públicos, e não aceitei o seu convite.


Logo após o jantar, Gage se despediu alegando que precisava ir pois acordava muito cedo para trabalhar.
Gage - O jantar estava ótimo mas eu precios ir andando; amanhã acordo às cinco para pegar no batente. A vida de policial não é fácil.
Chris - Mas já vai? Não vai esperar nem pela sobremesa? 
Gage - Vai ficar pra outro dia.



Parecia que Gage estava diferente, parecia que havia amadurecido apesar de não ter se passado muito tempo desde a última vez que ele esteve lá no flat. Parecia que aquele interesse que ele demonstrava por mim havia acabado. Mas naquela noite eu estava muito deprimida e precisando conversar com alguém, e assim tive que deixar o meu orgulho de lado e pedir, quase implorar, para que ele ficasse mais um pouco.
Chris - Não dá pra ficar nem mais um pouco? É que eu estou precisando muito conversar com alguém...


Ele acabou ficando mais um pouquinho, não sei se por pena ou porque só estava  tentando se fazer de difícil com aquela história de que precisava dormir cedo.
Gage - Penso que vc não tem motivos para estar nessa tristeza toda.
Chris - Estou em crise comigo mesma...
Gage - Realmente não entendo os seus motivos. Tudo isso só por causa de um comercial?


 Chris - Aquele comercial desagradou muito a minha tia, e eu não queria que isso acontecesse.
Gage - Vc se preocupa muito com a avaliação dos outros. Vc já é uma mulher adulta e não deveria se importar com o que os outros pensam sobre seus atos. 
Chris - Mas eu sempre fui assim, sempre precisei da aprovação dos outros.
Gage - E já parou pra analisar o porquê disso?
Chris - É isso que estou tentando fazer na terapia.



Gage ficou olhando para mim e num gesto de afago passou seu braço sobre meus ombros, me abraçou carinhosamente e repetiu uma frase que dissera em outra ocasião:
Gage - Realmente vc é uma mulher muito diferente da maioria. 
Chris - O que vc quer dizer com "diferente"? Quer dizer estranha?
Gage - Não, quero dizer diferente mesmo.


Realmente eu estava muito frágil e vulnerável naquele momento, de modo que não me esquivei ao abraço de Gage. Pra ser sincera me senti até bem confortável e protegida.


Gage - Vc está percisando de alguém que cuide de vc neste momento tão difícil se sua vida, e talvez eu possa lhe dar o que vc está necessitando. Quem sabe eu posso te ajudar a resolver seus conflitos interiores. Às vezes um amigo pode ser muito mais útil que um terapeuta.
Chris - Penso que eu não estou precisando desse tipo de ajuda que vc está me oferecendo. O que eu preciso mesmo é de um atendimento especializado.
Gage -  Pois fique sabendo que eu sou especializado em muita coisa...


Era fato que eu estava muito carente,  e assim me deixei levar pela situação e acabei cedendo às investidas de Gage, que aproveitou as circunstâncias e me beijou. Na situação em que me encontrava, não ofereci nenhuma resitência e acabei retribuindo o beijo.


Gage - Se vc quiser posso lhe fazer companhia essa noite. 
Chris - Mas vc não disse que precisava ir porque tem que dormir cedo?
Gage - É, disse. Mas eu posso dormir aqui mesmo, e assim ganhar tempo pois minha casa fica bem distante daqui.
Chris - Da última que vez que vc disse isso as coisas não saíram muito bem. Acho melhor vc ir dormir em sua cama mesmo.
Gage - Mas eu não vou insistir em dormir na cama; posso ficar aqui e dormir neste sofá...