domingo, 25 de dezembro de 2011

Peace, Love, Hope


Aproveitei o feriado do Natal para dar uma volta por Riverview e rever os locais que eu mais gostava de ficar quando era criança.  Como já falei em outra ocasião, as pontes sempre exerceram uma atração muito grande sobre mim, e River, tal como Twinbrook, era cheia delas. Eu amava ir até uma ponte e ficar observando o  movimento das águas, ou então, descer e me refugiar em um lugarzinho seco lá embaixo.


Aquela volta a minha cidade natal estava me proporcionando um reencontro comigo mesma. Eu estava muito feliz naquele final de ano e com muita esperança de que o ano novo representaria uma vida renovada para mim.


Quando estava retornando de meu passeio matinal, o que já havia virado um hábito desde a minha temporada em Twinbrook, ouvi alguém que tentava me alcançar chamando pelo meu nome. Era o Jhonata.


Jhonata - Olá, tudo bem? Como está nesta manhã de feriado de natal? Espero que não esteja tão apressado como da última vez...
Chris - Oi Jhonata...Fui dar uma volta na ponte do rio da enseada...Tá tudo bem sim. E vc?
Jhonata - Eu estou voltando para casa. Havia esquecido que hoje é feriado nacional e resolvi ir ao banco. Vc continua fissurada em pontes, não é?
Chris - Vc lembra disso? Mas como? Não lembro de ter comentado isso com vc.
Jhonata - E precisava? Está esquecida das fofoqueiras de plantão? Todo mundo sabia que quando vc estava triste, corria pra se esconder debaixo das pontes.


Enquanto estávamos conversando, seu telefone tocou umas três vezes e pelo tom da conversa parecia ser as piriguetes da cidade. Parecia que ele continuava sendo o homem mais cobiçado de River.
Chris - Bem...Eu preciso ir andando pois o pessoal está me esperando para o almoço...
Jhonata - Já sei. Mamãe não gosta que vc se atrase, não é?
Chris - Nada disso,engraçadinho!Não sou mais criança,sabia? Eu é que não gosto de me atrasar para nada.
Jhonata - É...Tou vendo que vc mudou muito mesmo.


Aproveitei a deixa para perguntar sobre ele:
Chris - E vc? Ainda continua sendo o galã da cidade? 
Jhonata - Que nada! Não sou mais aquele garotão,não. A idade não me permite mais certos excessos.
Chris - A julgar pelo número de telefonemas que vc recebeu em menos de cinco minutos, penso que isso não é verdade.
Jhonata - São apenas telefonemas; nada de concreto. 
Chris - Sei...
Jhonata - Bem, estamos bem em frente a minha humilde casa. Não quer entrar para um cafezinho?


Acabei aceitando o convite e passando o resto do dia por lá. Tomei café, almocei, comi sobremesa e aproveitei para conversar e saber tudo da vida de Jhonata, ou pelo menos tudo que ele quis contar.
Chris - Então quer dizer que vc nunca se casou?
Jhonata - Não. Acho que não encontrei a pessoa certa, ou então porque não nasci para me amarrar em ninguém.
Chris - Penso que a segunda hipótese é a mais provável, né não?
Jhonata - Pode ser...


 Jhonata - E vc? O que fez da sua vida sentimental?
Chris - Muito pouca coisa; sempre fui muito devagar nessa área, rsrsrsrs...
Jhonata - Bem..Nunca é tarde para começar, né? Se precisar de uma mãozinha,kkkkkkk...
Chris - Não, obrigada. Não estou a perigo!
Jhonata - É, realmente eu agora tou lembrado que vc sempre foi muito indiferente a essa questão de relacionamento, namoro... Não lembro de ter visto vc com alguém quando éramos adolescentes. Vc foi a única garota que nunca demonstrou interesse por mim.


A conversa estava tomando um rumo que não estava me agradando. Então subitamente levantei:
Chris - Jhonata, agora preciso ir mesmo. Passei o dia todo aqui e o povo lá me casa já deve estar preocupado.
Jhonata - Se dona Marina souber que vc passou a tarde toda na casa de um homem, não vai gostar não é?
Chris - Não tem nada a ver com a minha mãe! Que mania a sua de querer me irritar!
Jhonata - Não precisa se irritar, não! Desculpe. Mas deixe fazer uma pergunta antes que vc vá embora correndo pra devaixo da ponte. Brincadeirinha...Rsrsrs...Então...Essa estampa aí em sua camiseta é o mote para o próximo ano? Paz, amor, esperança...?

  
Ao fazer essa pergunta ele me pegou de surpresa pois eu nem havia atentado para o que estava escrito na camiseta quando a peguei no fundo da mala e vesti.
Chris - Penso que é o que todo mundo espera, não é não?
Jhonata - Ah sim, tem razão. E qual dessas três coisas aí vc pretende?
Chris - Todas, como todo mundo.
Jhonata - Eu não perguntei o que todo mundo deseja; eu perguntei o que vc deseja. Dá pra ser direta, ou seja, dá para falar o que vc deseja pra sua vida?
Chris - Bem...Eu já consegui um natal de muita paz lá  em casa, e ainda tenho esperança que minha vida continue mudando muito no próximo ano...


Jhonata - E amor...? Não lhe interessa? 
Chris - Não acredito nessa coisa de amor romântico; o amor de minha família já me basta.
Jhonata - Pois eu não vivo sem  estar envolvido com o amor, seja esse amor romântico aí a que vc se refere, ao amor no sentido mais físico, vc entende, né? E já que vc está aqui agora em minha frente e eu não corro mais o risco de ser denunciado na delegacia por dona Marina, acusado de sedução de menor, vou confessar uma coisa. E não adianta querer sair correndo pois eu te agarro e só largo depois que vc ouvir, entendeu?
Nem que eu quisesse sair correndo eu poderia, pois minhas pernas tremiam mais que vara de bambu e meu coração só faltava pular pela boca. O fato de ter o único cara por quem eu fui apaixonada na época da adolescência tão perto daquele jeito me deixou desnorteada.


Jhonata - Eu sempre tive uma atração enorme por vc; achava super excitante aquele seu jeito recatado. Pena que vc nunca me deu a oportunidade de roubar pelo menos um beijo. Inclusive acho que foi por isso, pelo fato de vc ser a única que não me dava bola, que  me deixava tão fissurado.
Chris - Bem,eu...eu não sei o que dizer...Nunca pensei que vc pudesse ter tido algum interesse por mim...
Jhonata - E se eu confessar que quando te vi lá na praça constatei que o interesse renasceu, vc vai me dar uma bofetada?


Se aquela cena tivesse ocorrido há uns tempos atrás, com certeza ele ficaria com o rosto vermelho do tapa que eu lhe daria, mas como estava decidida a deixar a velha Chris no passado,  não respondi nada, quer dizer, não respondi de forma convencional.


Jhonata - A quem devo agradecer por sua mudança? 
Chris - À vida. Aprendi que a vida é um processo que está em constante mudança. E aproveitando, vou confessar uma coisa também.
Jhonata - Só espero que não vá me dizer que resolveu adotar a castidade como regra de vida,rsrsrsrs...
Chris - Não, nada disso. Apesar de já ter pensando nessa possibilidade,rsrsrsrs. Quero dizer que sempre fui apaixonada por vc, quer dizer, apaixonada na época de adolescência.
Jhonata - Então vou me empenhar para que vc se apaixone por mim outra vez. Janta comigo hoje?
Chris - Mas eu passei praticamente o dia todo aqui...
Jhonata - Vamos, aceite. Quero te levar pra sair; quero recuperar o tempo perdido. Quero propor que façamos agora o que não fizemos no passado.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Christmas Peace


O Natal estava chegando e eu não poderia deixar o meu sobrinho sem experimentar o espírito natalino.
Chris - Vc já fez seu pedido para Papai Noel?
Arthur - Mas mamãe disse que isso não existe; que essa história de Papai Noel é só pra as lojas venderem brinquedo, pois Papai Noel é uma invenção do comércio e não dá presente coisa nenhuma.
Chris - Mas vc gosta de ganhar presente?
Arthur - Claro que gosto, né titia!


Chris - Então não custa nada pedir, não é?
Arthur - Mas eu vou pedir a quem? Papai Noel não dá nada a ninguém...
Chris - Não importa quem vai dar, o que importa é acreditar que pode ganhar. E além do mais é direito de toda criança ganhar presente, brinquedos, seja lá de quem for. E não dê muito ouvidos a essa história de que natal é invenção do comércio, pois isso não tem importância, afinal a gente vive do comércio mesmo. Como a gente iria viver se não tiver que comprar as coisas? O que não pode é a gente ser consumista demais. Entendeu?
Arthur - Mais ou menos...
Chris - Então...Amanhã será Natal e todas as crianças colocam seus pedidos na lareira  e aguardam o bom velhinho colocar o presente lá. Por que não vai fazer o seu pedido?


Marina - Eu já disse que não quero essa besteirada de noite de natal aqui em casa! Se ela quiser fazer uma ceia de natal que vá fazer em outro lugar, menos aqui!
Valter - Mas mamãe, o que custa? Ela veio nos visitar, veio passar o final de ano com a família. O que custa fazermos um jantar especial para comemorar a união da família?
Marina - Custa que eu não gosto dessas besteiras e ponto final! E não quero mais falar sobre isso.


Valter - A senhora está sendo muito intransigente, mamãe. Por que não aproveita a ocasião para acertar as coisas com a sua filha?
Marina - Porque não tenho coisa nenhuma para acertar. Não pense que estou abestalhada só porque ela resolveu aparecer para fazer uma visita. Vc está esquecido de todo o tempo que ela passou sem dar notícia? Sem se preocupar comigo, sem procurar saber se eu ainda estava viva?
Valter - Todo mundo tem suas razões e o direito de cometer erros. Mas também tem o direito de consertar os erros, de pedir desculpas.
Marina - Pois se tem alguém aqui que precisa pedir desculpas, esse alguém é a ingrata da sua irmã!


Eu havia ouvido toda a conversa entre Valter e mamãe, mas mesmo assim não dei ouvidos. Aproveitei o dinheiro que Richard havia depositado em minha conta e comprei um monte de coisas para a ceia de natal que iria organizar mesmo contra a vontade de dona Marina. Comprei um monte de presentes para o Arthur e coloquei ao lado de sua cama enquanto ele dormia. Inclusive estava pensando em dar uma de Meg e fazer uma reforma no quarto do menino, que em nada se parecia com o quarto de uma criança a começar pelas cores escuras da decoração.


Preparei uma mesa farta para o jantar com peru e tudo. Comprei tudo pronto, pois certamente se eu inventasse de preparar as comidas em casa, mamãe não iria permitir e era capaz de jogar tudo no lixo. Depois de muito tempo, desde que saí de casa para morar com a Tia Agnes, aquele seria o primeiro Natal que ia passar com a minha família.


Valter - Mamãe não vai gostar nem um pouco dessa árvore de natal aqui na sala.
Chris - É apenas um enfeite, um objeto de decoração e nada mais.
Valter - Mas vc sabe como ela é...
Chris - Sei, e sei também que nunca é tarde demais para mudar. Eu mudei muito desde que saí daqui ainda adolescente, mano. A maioria das minhas mudanças foram externas, mas estou decidida a mudar de uma forma geral e por isso estou aqui. Tem muita coisa em mim que para ser mudada tem a ver com a forma como a mamãe me criou, e como essa forma de criação influencia até hoje o meu relacionamento com ela.


Valter - É, mamãe sempre foi mais rigorosa com vc do que comigo. Talvez isso tenha acontecido pelo fato de vc ser a filha mais velha.
Chris - Acho que não; acho que ela me trata desse jeito porque ela pensa que eu fui a culpada por papai ter a abandonado grávida e com uma mão na frente e outra atrás. Ela sempre agiu como se tivesse ódio de mim, embora às vezes demonstrasse o contrário.
Valter - Eu nunca entendi essa forma dela agir com vc...
Chris - Bem, eu vou lá falar com ela.
 

Chris - Mamãe eu posso falar com a senhora? Não vai descer para o jantar?
Marina - Eu estou sem fome, e mesmo que tivesse faminta não iria participar dessa presapada de ceia de natal. Pode ir que eu quero sossego.


Chris - Tudo bem. Se não quer participar de um jantar em família eu vou pois o Valter e o Arthur estão esperando. Se a senhora e sua nora insistem em continuar me tratando como se eu fosse uma estranha, meu sobrinho e  meu irmão me aceitam e me entendem.


Marina - O que vc pensa que está fazendo com a minha família? Eu não quero que eles participem dessa besteirada que vc veio inventar aqui em casa.
Chris - A senhora por acaso procurou saber a opinião deles? Ninguém pode ser obrigado a concordar o tempo todo com a senhora pois a senhora não é a dona da verdade. Pena que eu só vim descobrir isso com muito atraso, pois se tivesse chegado a essa conclusão quando tinha a idade de Arthur, eu não teria feito tanta coisa errada em minha vida.


Marina - Ei! Por acaso vc está querendo colocar em mim a culpa por seus erros? Esa é boa! Quer dizer então que eu sou a culpada pelas coisas erradas que vc andou fazendo por aí?
Chris - Eu diria que a senhora é culpada pelas coisas que eu deixei de fazer, pois sempre que eu desejava fazer algo eu sempre pensava no que a senhora iria achar, ou seja, eu sempre precisava de sua aprovação para tudo, e quando eu supunha que não iria ter essa aprovação eu preferia não arriscar para não ficar com remorso.
Marina - Espere aí!Isto não é verdade pois eu nunca proibi ninguém de fazer nada! Inclusive vc passou boa parte de sua vida longe de meu controle!
Chris - Longe fisicamente, mas não psicologicamente. Sua forma controladora e opressora me seguiu por toda a minha vida.


Marina - Vc é uma mulher adulta e não precisa do consentimento de uma mãe para fazer ou deixar de fazer alguma coisa! O que vc está pretendendo com essa conversa?
Chris - Estou querendo acertar as contas com a senhora; estou querendo zerar os problemas que temos uma com a outra, mamãe! Sei que há algo que impede a senhora a me aceitar como filha e por isso eu sempre fui tratada com indiferença. Eu não tenho culpa se o papai abandonou a senhora, quer dizer, abandonou nós duas. Chegou a lhe ocorrer que eu também fui abandonada, e que como criança criada sem pai até os dez anos eu também sofri?
Marina - Foi criada sem pai mas nunca passou por necessidades, e quando eu me casei com o pai do seu irmão ele lhe acolheu como filha.


Chris - Pois é, o meu padrasto fez o que parece que a senhora  nunca fez, ou seja, me aceitar como filha. E agora que eu estou aqui disposta a dirimir todas as mágoas que possa haver entre a gente, a senhora continua agindo assim com esse jeito turrão. Mamãe, a senhora é minha mãe e apesar de tudo, dos seus erros, do jeito que a senhora me criou, eu a amo e gostaria muito de que a senhora me aceitasse.
Marina - Se eu não te aceitasse vc não estaria aqui  em minha casa...Eu só uma mulher muito sofrida, passei por muitas provações, e por isso fiz tudo o que eu achava certo para não ver vc passar o que eu passei. Não queria que vc fosse enganada e abandonada por um cafageste como eu fui.


Chris - Mamãe, a gente só aprende a se defender das adversidades da vida, vivendo. Não é supreprotegendo um filho que a gente prepara esse filho para a vida; agindo assim a gente acaba privando-o de viver. A gente só aprende errando, tentando, errando outra vez...Não existe caminho certo, pois o caminho se faz ao caminhar. O que não pode é permanecer no erro. Hoje eu entendo que a senhora cometeu muitos erros em minha educação e que errou querendo acertar. Por isso eu lhe perdoô por tudo e espero que se a senhora também me perdoe se por acaso eu não fui ou não sou a filha que a senhora esperava ter.


Marina - Eu já sofri muito nessa vida...Minha mãe sempre foi muito dura comigo também...Foi assim que eu aprendi e foi assim que eu fiz...
Chris - Fez comigo, com o Valter não...
Marina - Não queria que vc tivesse a mesma sorte que eu...Quem é mãe tende a fazer o que aprendeu com a própria mãe. ..

Fiquei analisando aquelas palavras da mamãe e pensando que talvez seja por isso que muitas mulheres, não querendo fazer o que suas mães fizeram com elas, resolvem não ter filhos, ou então quando os tem, fazem tudo completamente diferente.

Chris - Bem  mamãe, estou indo servir o jantar pois os meninos me aguardam.



Valter - E aí, mana, como foi a conversa?
Chris - Difícil, mas muito franca. Disse tudo o que eu estava querendo dizer há muito tempo.
Valter - E ela?
Chris - Não disse muita coisa, mas penso que compreendeu o meu lado e deve até ter aceitado.
Valter - O que estamos esperando? Vamos jantar? A Regina com certeza também não virá.


Só foi Valter acabar de fechar a boca que para a  nossa surpresa mamãe entra na sala toda arrumada.
Marina - Já esquentaram a comida? Odeio comida fria!
Valter - Mamãe! Que surpresa! Então a senhora vai jantar conosco?
Marina - E onde mais eu iria jantar se não em  minha casa? Por acaso eu tenho costume de jantar fora?
Chris - Então vamos que a comida já está quentinha e está nos aguardando.


Marina - A Regina também irá jantar conosco, pois se ela quer ser realmente da família precisa estar unida à família.
Regina - Só não sei se irei gostar dessa comida de restaurante. Poderia muito bem ser uma comida bem caseira como só eu sie fazer.
Marina - Sabe mas não se movimentou nem pra preparar uma sobremesa. Vamos, vamos logo a esse jantar antes que eu me arrependa!


Regina - Eu não entendo mesmo a senhora...Disse que por nada no mundo descia pra essa ceia e agora tá assim...
Marina - Assim como? Estou em minha casa, com minha família, e estou faminta. O que vc queria que eu fizesse a não ser comer? 
Regina - Mas...
Marina - Não tem nem mais nem menos. Vc não tem que dizer nada; o que vc tem que fazer agora é comer e depois vc tenta entender, afinal vc é mãe e um dia entenderá as razões de uma  mãe.


Arthur - Titia, titia! Encontrei um monte de presentes debaixo de minha cama!
Chris - Foi mesmo? E quem será que colocou esse monte de presente lá?
Arthur - Não sei qum colocou, mas eu gostei de todos.


Chris - Que bom! Feliz Natal, querido.
Arthur - Feliz Natal, titia! Também deixaram algum presente pra vc, tia Chris? Vc ganhou alguma coisa?
Chris - Claro que sim, ganhei os melhores presentes que eu já ganhei em toda a minha vida.


Arthur - Tia  vou contar um segredo - cochichou ao meu ouvido.
Chris - E que segredo é esse?
Arthur - Eu sei que foi vc quem colocou o presente debaixo de minha cama, mas  vou fingir que não sei, e que penso que foi o Papai Noel, pois tou achando que ele existe mesmo e que faz milagres, pois até a vovó tá gostando da festa de Natal que vc preparou.

Então tivemos uma ceia de natal em paz e feliz nunca havia tido naquela família. 


Arthur, pela primeira vez em seus sete anos, teve uma verdadeira noite de natal com direito a tudo que tinha direito. Passou a noite toda se divertindo com seus brinquedos novos e finalmente a paz reinava na família Oliver.


Eu estava muito feliz e realizada pois além de ter resolvido os meus problemas com mamãe, finalmente havia conseguido fazer com que ela cedesse em alguma coisa. Mas antes da noite terminar recebi um telefonema que me deixou mais feliz ainda. Quer dizer, um não, dois, na realidade era uma conferência. Eram minhas amigas Meg e Beaz que estavam ligando de Appolosa para me desejar um feliz natal e pra dizer que estavam morrendo de saudades,  e que estavam preocupadas comigo. E para não perder o costume de serem mexeriqueiras, insistiam que queriam saber o que estava acontecendo, etc e tal. 

domingo, 13 de novembro de 2011

Teias de Relacionamentos



Eu continuva com  a minha rotina simplória em Twinbrook. Eu costumava ficar enfurnada em casa, pois tinha receio que alguém me reconhecesse, mas já havia passado tanto tempo desde o comercial, que provavelmente ninguém mais lembrava de mim. Então, depois de passado uns seis meses, resolvi sar para connhecer a cidade.



 Eu estava cansada de ficar em casa, hora lendo, ohra fazendo as tarefas domésticas. Gage havia voltado a sua rotina e quando não estava trabalhado em seu expediente normal, estava fazendo hora extra. Ele só vivia dentro de uma viatura com uma colega bombeira. Uma coisa que chamava atenção no corpo de bombeiros daquela cidade era o fato de ter mais mulheres do que homem trabalhando na corporação.

 

Outra coisa que impressionava em Twinbrook referia-se à densidade demográfica do lugar; lá o número de habitantes por quilômetro quadrado era reduzidíssimo. Nós quase não tínhamos vizinhos; o mais próximo ficava a cerca de dois quilômetros de distância. Se por um lado isso foi positivo para mim, pois estava querendo ficar isolada, por outro, causava um sentimento de abandono e de solidão.


Mas solidão era coisa que Gage não sentia, pois como passava a maior parte do tempo trabalhando, sempre estava rodeado de pessoas, principalmente de mulheres. Inclusive eu vivia torcendo para que ele se interessasse por uma delas, pois já havia deixado bem claro para ele que o que havia entre nós não passava de uma amizade, em certos momentos colorida, é fato, mas amizade. Eu era grata por ele ter me ajudado naquela fase conturbada de minha vida. Assim o sentimento que me aproximava dele era gratidão e não amor.


Uma característica da cidade que me agradava, eram os rios, pois Twinbrook era uma cidade ribeirinha, e suas inúmeras pontes. Sempre gostei muito de pontes, penso que pela sentido que elas trazem, isto é, pelo fato de estabelecerem ligações, o que de certa forma era o que eu vivia procurando. Sempre preferi às pontes aos muros, mas infelizmente meus problemas pareciam sempre me colocar à beira de abismos existenciais.


No meu percurso até o centro da cidade, passei pelo posto do corpo de bombeiros, e avistei de longe o Gage em treinamento com uma de suas colegas. Ele não me viu, e nem eu fiz questão que me visse; o tempo que a gente passava junto era pouco mas era suficiente para o tipo de relação que estabeleci para nós dois. Assim, não havia espaço para uma visitinha ao seu trabalho para matar a saudade. O que eu queria mesmo ela que ele se interessasse por uma daquelas bombeiras; gostaria que ele encontrasse alguém que o completasse. Eu também estava procurando por algo que me completasse, mas já estava convicta de que esse algo não tinha relação com relacionamentos amorosos.


A cidade, embora tivesse poucos estabelecimentos comerciais, dispunha de algumas modernidades, como por exemplo a entraega de compras em domicílio . Entrei em uma mercearia e fiz algumas compras, e eles me prometeram que assim que eu chegasse em casa iria encontrar as minhas compras na varanda. Outro fator importante por lá é que o índice de criminalidade era baixíssimo, quase zero.


Aproveitei pra passar no sebo e comprar alguns livros, pois eu já tinha lido todos os que eu havia levado, os que Gage  havia me emprestado, e os que ele havia trazido da biblioteca comunitária. O dono do sebo, um homem de cabelos grisalhos, mas ainda jovem, era bem comunicativo e ficamos conversando por um bom tempo. Ele me contou que também era novo na cidade, e que havia ido pra lá realizar trabalho de ajuda humanitária, por isso estava vendendo alguns dos exemplares de sua biblioteca para arrecadar recursos.


Teve um momento de nossa conversa em que ele disse que achava que já havia me visto antes, mas eu desconversei e disse que deveria ser impressão dele, pois eu era uma mulher comum e recém chegada na cidade, de modo que não tinha como a gente ter se encontrado antes. Uma coisa que me agradou nele, é que como eu, ele era cinéfilo. Inclusive ele revelou que já havia sido diretor de um filme que fora rodado no exterior. Apesar da cidade ser bem interiorana, parecia que tinha umas pessoas interessantes, como aquele dono do sebo, mas também tinha um povo esquisito e extravagante, como uma moça que passou perto de nós, enquanto estávamos no maior papo sobre cinema.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tentando ficar online



Desde que comecei a apresentar minha crise existencial, prourei ouvir todos os conselhos das amigas e das pessoas que passaram a acompanhar este diário. E todas, foram unânimes em atribuir o meu problema à falta de um companheiro, e ao fato de eu ser meio reprimida, digamos assim, o que combinava com a avaliação que o terapeuta fez do meu caso.


Na avaliação que eu fazia de mim mesma, eu pensava que estava evoluindo muito, pois apesar de ter procurado o isolamento, não era um isolamento total, afinal o Gage estava comigo. E naqueles dias, ele ficou comigo em tempo integral, pois suas tão sonhadas férias havia finalmente chegado. No primeiro dia de férias, ele chegou da rua cheio de embrulhos; estava trazendo uns presentes para mim.


  Chris - Que caixas são essas...?
  Gage - Uma surpresa pra vc...
  Chris - Mas nem é meu aniversário...
  Gage - Não precisa ser anversário para fazermos uma festa...
  Chris -  Então teremos uma festa...? Poderia ter me avisado para   eu arrumar as coisas.
  Gage - Não precisa, pois será uma festa íntima; só para nós dois...



Inicialmente não entendi o que ele estava queredo dizer, mas depois, quando ele veio todo insinuante para o meu lado, eu logo entendi. Principalmente quando ele sussurou em meu ouvido:

_ Não consigo esquecer aquele comercial que vc fez, pois nunca te vi tão sexy...Por isso trouxe uma coisa que gostaria muito que vc usasse.

Pelo tom da conversa, imaginei logo o que seria, e o natural seria eu ter uma crise de fúria e rejeitar a sua proposta. Mas como estávamos só nós dois ali e as pessoas que eu conhecia e que certamente me criticariam estavam há centenas de quilômetros de distância, resolvi entrar no clima e fazer tudo que a Lana havia me incentivado, e que minhas amigas sempre insinuavam.



Vesti a roupa que ele havia comprado pra mim. Era tipo uma versão feminina e econômica do fardamento oficial do corpo de bombeiros. Acho que fazia parte de uma fantasia dele.


Chris - Então, como estou?
Gage - Está ótima e como eu sempre quis que estivesse...E vc, está curtindo?
Chris -  Pra falar a verdade está um pouco apertada; acho que ganhei mais uns quilinhos. Também, não faço outra coisa senão comer e dormir.
Gage - Bem, então vamos parar de conversa e vamos começar a nossa festa.

 

Bem, então começamos a nossa festinha particular.




E continuamos durante todo o mês de férias dele, quando tive a oportunidade de usar todos os presentes que ele me trouxe no primeiro dia.



Estava mesmo decidida a testar pra saber se era aquele mesmo a solução para os meus problemas, conforme todo mundo insistia em afirmar.



Só parávamos para eu preparar alguma coisa para comermos, mas nem mesmo nessas horas o Gage não me dava sossego, e quando eu menos esperava lá estava ele atrás de mim enquanto eu estava na pia lavando ou preparando algum alimento.


Era uma experiência interessante e inusitada para mim, pois em frente a pia havia uma janela e volta e meia passava alguém na calçada e ficava esticando o pescoço tentando ver o que estava acontecendo. E por mais que eu implorasse que ele esperasse eu terminar o meu serviço, ele não dava ouvidos e continuava me agarrando.



Foi assim durante os 31 dias de suas férias. E apesar de eu ter aceitado participar daquela experiência, que pra mim era na verdade um experimento para comprovar ou refutar a tese de minhas amigas, quando acabou eu estava muito inclinada a acreditar que elas estavam completamente e-qui-vo-ca-das. Penso que eu preciso de algo mais...